22/05/2008 - 16h25
Os homens também querem expressar sua personalidade por meio das roupas
Reuters
O costume da Bottega Veneta tem intensidades de cinza que proporcionam um ar renovado
FOTOS: EXEMPLOS DE MODA CLÁSSICA MASCULINAGUIA DE COMPRAS PARA HOMENS CLÁSSICOSNOTÍCIAS DE MODAEsta coluna vai procurar soluções para Fábio, Fernando José Lopes, Pedro Santos, Eriel Sebastião dos Santos, Murilo, Eder Oliveira, Guilherme, Misley Jacinto da Silva, André Luis Pereira Reis, Mateus Apolinário Pereira, Everton, Thiago Ferreira, Rafael, Rita Angelos, Bruno Henrique, Renan de Almeida Kichel, Thiago Lopes da Silva Barbosa, Matheus, Erick, Ítalo, Danilo Novais e Ronaldo da Luz Rodrigues. Tenho recebido muitos e-mails de homens perguntando como devem se vestir. São preocupações gerais, que vão além da formalidade ou das dúvidas sobre combinação de peças e cores. Percebo um desejo de criar um estilo próprio, uma maneira pessoal de se vestir. Seja clássico ou moderno, urbano ou esportivo, tanto faz. A idéia é utilizar as roupas para traduzir um jeito de ser.ElegânciaPara ajudá-los, fomos consultar a bíblia brasileira da moda masculina, o livro "Elegância", de Fernando de Barros, um incrível editor de moda que sabia tudo: "Estilo não tem nada a ver com a moda, ainda que esteja ligado a um compromisso com a evolução das roupas...". Isso mesmo; você não precisa estar vestido "na última moda" para ser um cara estiloso. E ele continua: "quem pensa que elegância é ir a uma loja e comprar roupas da última coleção está redondamente enganado". Segundo ele, basta você articular uma ou outra peça nova com aquelas do seu armário. Até porque a moda masculina não muda tanto de estação para estação. Então não é preciso ter um milhão de peças; a sua garimpagem certamente vai construindo um estilo pessoal, passa a passo. Mas atenção! Nada de ficar reciclando peças de duas décadas atrás, que já não têm mais forma ou cor. O estilo "desencanado" ou "não estou nem aí" é péssimo. Roupa velha, desbotada, rasgada, deve ir para o lixo. Nem que seja roupa íntima, que poucos vêem. Comece apurando o seu olhar e não se permita esculhambar. Dê um trato no seu guarda-roupa jogando fora tudo o que não está em ordem, e sem dó. Outra mania de homem é vestir dois números acima. Essa moda de camisa e calça largona vem dos anos oitenta e não dá mais. A roupa atual é mais próxima do corpo, mais ajustada. A não ser que seu estilo seja hip-hop ou skatista; aí é outra coisa.Falar é fácilTá bom, mas como desenvolver um estilo próprio? Qual é o seu estilo e como você pode se expressar por meio das roupas? Vamos lá: "Para ser bem sucedido, o primeiro passo é gostar da idéia de brincar consigo mesmo". É preciso certa disponibilidade e não ter vergonha de se preocupar com isso. A gente sabe que a imagem é importante para comunicar quem somos. Não é dar valor só à imagem, mas fazer com que a pessoa que você apresenta para os outros seja a mesma que você é por dentro, nas suas idéias e gestos. Voltemos à bíblia: "Estar bem vestido é uma questão de informação. Ser elegante é uma questão de educação [...] é, sobretudo, uma reflexão sobre si mesmo".Mãos à obraDepois de ter dedicado pelo menos dez minutos a se livrar das roupas infames, vamos raciocinar um pouco. Qual é o seu estilo de vida? Seu trabalho exige uma roupa formal, do tipo terno e gravata? Ou permite uma roupa casual, jeans? Você vai para eventos chiques ou é só balada com os amigos? Gosta de conforto ou prefere estar sempre na moda? Gosta de praia e sossego ou prefere festivais de cinema e shoppings?Encontrar um estilo próprio não é uma coisa que se consegue da noite para o dia, mas pode ser construída aos poucos. Na coluna desta semana vamos nos dedicar ao estilo clássico, do homem mais convencional ou menos preocupado com inovações. Se você se identifica com ele, mãos à obra. Se não, tenha paciência e aguarde nossas próximas colunas.Estilo clássicoPouco afeito a mudanças, o homem clássico não registra facilmente os modismos e não se interessa por inovações de uma maneira geral. Assim, deve optar pela qualidade, levando em conta o tecido, o corte e o acabamento. Não precisa ficar trocando de guarda-roupa o tempo todo. Escolha poucas e boas peças e vá acrescentando novas para ter mais variedade. Pode inclusive escolher um alfaiate para roupas sob medida. Cuide bem de suas peças, use o tintureiro e bons cabides. Para o tipo mais formal aconselhamos os ternos escuros, nas cores preto, marinho e cinza, paletós e calças de gabardine de lã ou lã fria, camisas impecáveis brancas, azuis e rosas (sempre clarinhos), coletes. As gravatas serão seu foco especial de atenção. Em seda, com padronagens tradicionais como listras diagonais largas, podem ser mais coloridas mas sem excesso. Os lenços na lapela, de seda ou algodão cuidadosamente dobrados. Os cintos devem ter fivelas discretas e combinar com os sapatos, que devem estar sempre impecáveis e ser de boa qualidade. Suspensórios não são cafonas e podem ser usados com costumes (ternos sem colete). Dispensam o uso dos cintos, mas podem também conviver. Para os que têm mais barriga o suspensório pode ser uma boa opção, pois não cria o efeito "barriga-por-cima-do-cinto". Evite seu uso com roupas esportivas, pois cria um estilo meio caricato, fanfarrão. Clássico informalPara os mais informais ou intelectuais mais desencanados, temos o clássico blazer de veludo cotelê, a camisa pólo, com mangas curtas ou longas, camisetas listradas tipo navy, jeans tradicionais índigo ou até black, cardigãs, pulôveres, cintos de couro natural, sapato de camurça de amarrar, blazeres de tweed, camisas lisas ou com xadrezes leves (que estão na moda!), calças de sarja e parkas. Para um momento mais saudosista, trench-coat está na moda e o chapéu de feltro também. O uso de cores neutras (preto, branco, cinza) e naturais (marrom, bege, marinho e cáqui) pode ser iluminado com a mistura de cores mais fortes como os tons de vermelho fechado, amarelos queimados ou verdes de várias intensidades.